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À viva ironia Lotário abalou-se.
- Afastem-no!... Afastem-no! ergueu-se rugindo,
E a turba dos servos, o escravo impelindo,
Em poucos instantes da sala afastou-se.
XXVI
Ah! mísero Mauro! passados momentos,
Terrível sentença dos lábios sedentos
Baixou o tirano, que em fúria ardia:
- Amarrem-no, e aos golpes de rábido açoite,
Lacerem-lhe as carnes de dia e de noite,
Até que lhe chegue final agonia.
XXVII
Mas quando a alvorada no espaço raiava,
E os bosques, e os campos, risonha inundava
Das longas delícias do etéreo clarão,
O escravo rebelde debalde buscaram,
Cadeias rompidas somente encontraram,
E a porta arrombada da dura prisão.
[O Suplício]
I
Na hora em que o horizonte empalidece,
Em que a brisa do céu vem suspirosa
De úmidos beijos afagar as flores,
E um véu ligeiro de sutis vapores
Baixa indolente da montanha umbrosa