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54 : OS VILHANCICOS :

bilingues 23, mas é preciosa notar que mesmo nos bilingues sam muito reduzidos os trechos portugueses. Nada determinou esta preferência senão o gôsto da época, reafirmâmo-lo, sendo realmente para lamentar que a tanto tivesse descido a deliquiscência do caracter nacional. Mas êste não morrera e assim se afirmava, embora tènuemente, pelo encanto dalgumas composições pelas quais se via bem que a língua se não recusava às louçanias literárias e artísticas do espanhol. Questão de endemia da época. Foram dos melhores patriotas os que fizeram soar a sua lira na língua dos nossos vezinhos. E para só falar dos do tempo que estamos estudando, a quem não acudirá logo à memória o nome do culto e fecundíssimo espírito que se chamou D. Francisco Manoel de Melo? Quem se revio em mais primores de língua pátria como o que tam brilhantemente a empregou na sua Côrte na Aldea?.

Aqui mesmo nos Vilhancicos há graça, suavidade, riqueza vocabular, avonde, sem necessidade da medingaria alheia.

Se não ha mais ou melhor, a culpa não era da língua. Longe disso! Os artistas é que podiam não possuir a mestria de a plasmar com amor, com perfeição, e sobretudo, sem a torcer, sem a violentar.

Veja-se aquele rebuscado da fraseologia,