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Onde foi elle — em meio assim deixando
Quebrado o accento da canção sublime,
      Que apenas encetára?
Onde foi elle? em que felizes margens
Desprende agora a voz harmoniosa?
Estranho ao mundo, n’elle definhava
      Qual flor, qu’entre fraguedos
Em solo ingrato langue esmorecida:
Uma nuvem perenne de tristeza
O rosto lhe ensombrava — parecia
Seraphim exilado sobre a terra,
Da harpa divina tenteando as cordas
P’ra mitigar do exilio os dissabores.

Triste poeta, que sinistra idéa
Pende-te assim a fronte empallecida?
Que dôr fatal ao tumulo te arrasta
Inda no viço de teus bellos annos?
      Que accento tão magoado,
Que lacera, que dóe no seio d’alma,
      Exhala a tua lyra,
Funereo como um écho dos sepulcros?
Tua viagem começaste apenas,
E eis que já de fadiga extenuado