Se da célebre Laura a formosura

(Se da célebre Laura a formosura)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Se da célebre Laura a formosura
Hum numeroso cysne ufano escreve,
Huma angelica penna se te deve,
Pois o Ceo em formar-te mais se apura.

E se voz menos alta te procura
Celebrar, (oh Natercia!) em vão se atreve:
De ver-te ja a ventura Liso teve,
Mas de cantar-te falta-lhe a ventura.

No ceo nasceste, certo, e não na terra:
Para gloria do mundo cá desceste:
Quem mais isto negar, muito mais erra.

E eu imagino que de lá vieste
Para emendar os vicios que elle encerra,
Co'os divinos poderes que trouxeste.