Morto! Consciência quieta haja o assassino

Que me acabou, dando-me ao corpo vão

Esta volúpia de ficar no chio

Fruindo na tabidez sabor divino!


Espiando o meu cadáver ressupino,

No mar da humana proliferação,

Outras cabeças aparecerão

Para compartilhar do meu destino!



Na festa genetlíaca do Nada,

Abraço-me com a terra atormentada

Em contubérnio convulsionador...


E ai! Como é boa esta volúpia obscura

Que une os ossos cansados da criatura

Ao corpo ubiqüitário do Criador!


(Outras Poesias, 45)