Losango Cáqui

MARIO DE ANDRADE

O LOSANGO
CÁQUI
MARIO DE ANDRADE


LOSANGO CÁQUI
OU
AFETOS MILITARES DE MISTURA
COM OS PORQUÊS DE EU SABER ALEMÃO



S. PAULO
CASA EDITORA A. TISI - RUA FLOR. DE ABREU, 4
1926

do Autor:

"Ha uma gota de Sangue em cada Poema" (1917)

"Paulicea Desvairada" (1922)

"A Escrava que não é Isaura" (1925)

"Losango Cáqui" (1925)

por publicar:

"Primeiro Andar" (contos)

"Amar, Verbo intranzitivo" (romance)

em preparação:

"Clan do Jaboli" (poemas)

"Gramatiquinha da Fala Brasileira"






a
Anita Malfatti
Advertencia

Me resolvo a publicar este livro assim como foi composto em 1922. E' um diario de tres meses a que ajuntei uns poucos trechos de outras epocas que o completam e esclarecem. Sensações, ideas, alucinações, brincadeiras, liricamente anotadas. Raro tive a intenção de poema quando escrevi os versos sem titulo dêste livro.

Aliás o que mais me perturba nesta feição artistica a que me levar minhas opiniões esteticas é que fodo lirismo realizado conforme tal orientação se torna poesia-de-circunstancia. E se restringe por isso a uma existencia pessoal por demais. Lhe falta aquela caracteristica de universalidade que deve ser um dos principais aspetos da obra-de-arte. Vivo parafusando, repensando e hesito em chamar estas poesias de poesias. Prefiro antes apresenta-las como anotações liricas de momentos de vida e movimentos subconscientes aonde vai com gosto o meu sentimento possivelmente pau-brasil e romantico.

Hoje estou convencido que a Poesia não pode ficar nisso. Tem de ir alem. Pra que alens não sei não e a gente nunca deve querer passar adiante de si mesmo.

Porém peço que éste livro seja tomado como pergunta, não como solução que eu acredite siquer momentanea. A existencia admiravel que levo consagrei-a toda a procurar. Deus queira que não ache nunca... Porque seria então o descanço em vida, parar mais detestavel que a morte. Minhas obras todas na significação verdadeira delas eu as mostro nem mesmo come soluções possiveis e tranzitorias. São procuras. Consagram e perpetuam esta inquietação gostosa de procurar. Eis o que é, o que imagino será toda a minha obra: uma curiosidade em via de satisfação.

Rapazes, não confundam a calma destas linhas preparatorias com a melancolia comum. Não tem melancolia aqui. Sou feliz. Estou convencido que cumpro o destino que deviam ter meu corpo em sua transformação, minha alma em sua finalidade.

E passo bem, muito obrigado.

M. de A.

S. Paulo, 1924

Índice
(Não aparece no livro)
 

Esta obra entrou em domínio público no contexto da Lei 5988/1973, Art. 42, que esteve vigente até junho de 1998.


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Caso seja uma obra publicada pela primeira vez entre 1928 e 1977, certamente não estará em domínio público nos Estados Unidos da América