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O Livro de Esopo/O casamento do ladrão e o do sol

O Livro de Esopo por Esopo
VII - O casamento do ladrão e o do sol
Transcrição e Notas de Leite de Vasconcelos. Vid. também O Casamento do Sol, traduzida por Manuel Mendes da Vidigueira.


VII. [O casamento do ladrão e o do sol]

       [Fl. 5-v.][F]oy hũa vez hũu ladrom, e quys-sse casar com hũa molher: e de fecto[1] casou-se com ella. E os vezinhos e amiguos fezerom gramde festa. Hũu homem ssabedor, o quall moraua em aquella rrua, chamou os vezinhos e disse-lhe este emxemplo:

— Hũa vez o ssoll quis tomar molher, e a terra queixou-sse muito ao deus Jouis, dizemdo-lhe que, sse o ssol tomasse outra molher, faria outros filhos, que sseriam ssolles e dariam tamta queentura de ssy, que nhũa criatura nom poderia viuer em ella. E assy fará este ladrom: fará filhos, e fará-os ladrõoes assy como ssy. E ora teemos em elle hũu maao vezinho, e depois terremos muytos.





Em aquesta estoria este douctor[2] nos demostra que nos nom deuemos d’alegrar da bem auemturamça dos maaos homẽes, os quaaes ssempre fazem mall; e nunca os deuemos de ajudar, porque quanto mais ajuda e bem lhe fazemos, mais poderio lhe damos de mall obrar: como fez este ladrom, que sse fazia poderoso de filhos pera poder muyto mais furtar.

NotasEditar

  1. No ms. fc̄oo. Creio que deve transcrever-se fecto, e não facto.
  2. No ms. dõuctor. Apesar do u e do c, ha ainda til (de certo por equivoco).