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ESPUMAS FLUCTUANTES


Um grupo destacava-se amoroso,
Tendo por tela a opala do infinito,
Dupla estatua do amor e mocidade
N um pedestal de musgos e granito,

E embaixo o valle a descantar saudoso
Na cantiga das moças lavadeiras!...
E o riacho a sonhar nas cannas bravas,
E o vento a s′embalar nas trepadeiras.

Ó crepúsculos mortos! Voz dos ermos!
Montes azues! Sussurros da floresta!
Quando mais vós tereis tantos afl′ectos,
Vicejando comvosco em vossa festa?...

E o sol poente inda lançava um raio
Do caçacíorna longa carabina...
E sobre a fronte á′Ella por diadema
Nascia ao longe a estrella vespertina.

IV

É noite! Treme a lâmpada medrosa
Velando a longa noite do poeta...
Além, sob as cortinas transparentes,
Ella dorme... formosa Julieta!