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ESPUMAS FLUCTUANTES


Com quem fala Carlota, ao sol poente,

Xa sombria alameda,
Quando os cysnes se arrufam na corrente...
E o vento, pelas grutas cochichando,

Uns noivos arremeda,
Que estão, como dois pombos, arrulhando?
Com quem fala Carlota, ao sol poente?

Porque chora Carlota ao meio dia,

Quando, nua de adorno,
Cubrindo os pés... com a trança luzidia.
Entrega o coi-po ao vacillar da rede,

E, olhando o campo morno,
Os lábios morde... p′ra matar a sede?
Porque chora Carlota ao meio dia?

O que sciama, o que sente, por quem chora

A soberba Carlota?
A rainha das salas já descora...
Foge o sceptro do leque aos dedos frouxos...

E a turba alegre nota
O fundo circlo de seus olhos roxos.
E não diz o que scisma e j)or quem chorai

Quem te mata, Carlota, sào remorsos

De algum divino crime?
Sào ciúmes que escondem teus esforços-?
Tens veríronha, talvez, desse rosário

Que tua mão comprime,