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ESPUMAS FLUCTUANTES


Kxpandia-se ao longe... e as doces notas

— Soluço indefinível,
Perdiam-se no ar, como o respiro
Das mattas virgens em manhas serenas,
Quando na excelsa coma a flor e as folhas
Tremem, sentindo em lagrimas de orvalho

Da madrugada os beijos!...
\′inha surgindo a aurora! — o firmamento,
Em mar de azul, as ardentias d′oiro

Ondulava contente!

Tingindo alegre o.s largos horizontes
De suave carmim — a luz brotava...
E o sol, o rei altivo do oriente.
Tirando o carro de corseis de fogo,

Em purpúreos cochins
A laureada fronte reclinava,

Medindo o espaço infindo!

E o sabiá cantava
Na larangeira em flor!...
Vagos rumores do cahir das folhas;
Mysteriosos sons; brando estalido
Das ramas a quebrar; frescor das relvas;
Suaves pios; bater macio d′azas
Das aves voejando: echos longínquos
Da recatada selva!... a natureza,
Abrindo os olhos húmidos de pranto,
Nas pompas de seu leito

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