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FANTINA

achava nelle o tic dos encantos que a imaginação phantasista creava em dias ardentes, cheios de desejos animaes.

Frederico mostrava-se poltrão, um homem sem fogo.

Tinha como post pastum amendoim com leite. Esse aphrodisiaco, porem, não o demovia.

Ao meio dia deitado n'um estrado da varanda, elle saboreava o cigarro vendo os rolosinhos de fumaça subindo em carações diaphanos.

Pelas grades muitas mulatas costureiras trabalhavam.

Ugolino em sua torre de ancias não desejaria um pedaço de carne com mais ardor do que Frederico um olhar de Fantina. Esta andava arisca, fugia das suas vistas como a jurity do gavião que espreita do cimo da bicuyba. Agora de pé atraz de D. Luzia, Fantina estava, dando catunés na cabeça da senhora que lia as Horas Mariannas.

De quando em quando Fantina olhava para o terreiro em busca da estrada, como evocando a sombra de Daniel que havia tantos dias, partira com a tropa.

Na posição em que Fantina estava, Frederico via-a por detraz ; e então, contando os canudos dos cabellos negros como anuns, e vendo o talhe correcto que