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FANTINA

Fantina cahiu-lhe aos pés soluçando.

— Senhor, salvae o infeliz que é odiado só porque me ama ! Eu sou uma escrava, mas tenho um coração puro.

Frederico ria.

— Não, Fantina, isso é tolice. Si você fiser o que eu quero, amanhã estará casada com elle. Abandona essas idéas : Daniel só quer Fantina. De qualquer fórma elle aceita.

A mulatinha de joélhos ficara muda.

A dôr que invadiu-lhe a alma era tão grande, que varreu-lhe as idéas do cérebro, como o vento varre as folhas seccas de uma planicie.

— Deixa, Fantina, e amanhã você será d'elle.

E com um movimento rapido pegou-lhe pela cintura, Fantina já meio desmaiada só poude deixar escapar dos labios semi-mortos a palavra—Jesus !

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