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grande mal, ou o grande erro, do matrimônio vulgar, consistia no disparate de querer harmonizar e unir-se, para os mesmos fins, essas duas coisas distintas — sensualidade e amizade — tão contrárias entre si, e tão antipáticas e até perfeitamente incompatíveis.

Compreendi que a mulher — para procriar, precisa de um homem, de um varão, escolhido pelos seus sentidos; e — para amar, precisa de um amigo, de um irmão, eleito pela sua alma e pela sua inteligência. O associado do seu corpo, em caso nenhum, pode ser associado do seu espírito, ou vice-versa.

Os irracionais também são, como nós, suscetíveis de simpatia e apego de amizade, mas nunca põem esse sentimento, que neles aliás não é tão elevado e tão perfeito como no homem, ao serviço da sua sensualidade e do seu destino procriador.

Compreendi que...

Mas não precipitemos os fatos da minha exposição. Vamos por ordem.

Como ia dizendo: Logo que me senti fraca para realizar sozinha o programa da