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heráldico, policromada em relevo com rara perfeição. Escudo bipartido. A metade da direita esquartelada, tendo no primeiro e último quartel as armas reais com um filete em contrabanda, e no segundo e terceiro, em campo de prata, um mantel sanguinho com um castelo de ouro, entre dois leões sanguinhos batalhantes; tudo cingido numa finíssima orla, composta de dezasseis peças, oito de ouro lisas e oito de azul, cada uma com a sua vieira de prata. — Era o escudo dos Noronhas, precioso tronco de que derivavam os condes de Valadares, Arcozelo e Paraty, e os marqueses de Angeja. — Na metade esquerda do escudo brilhavam as armas dos Castros — seis arruelas de azul, em duas palas, em campo de prata. Da coroa do timbre nascia, arrogante e minúsculo, um leão sanguinho.

O rapaz ficou deslumbrado. Evidentemente, estava tratando com um alto personagem! Fidalgo e rico, não havia dúvida. — Deixar de farófias... era aproveitar, antes que outro o fizesse. Baguinho e boa vida, vinha do céu! — E o malandrete, com o olhar hipnotizado na pinturilagem do escudo, baixou o pescoço em sinal de submissão.

O barão disse:

— Que dizes?
— Estou por o que o senhor quiser.

Então o barão, abocando um tubo acústico pendente ao lado da cama, chamou para baixo. Daí a minutos, entrava uma figura inexpressiva e reles de velha alcoviteira, corcunda e gotosa, os olhos sumidos na papujem flácida das pálpebras garatujadas de pés-de-galinha ao infinito, um sorriso perpétuo estereotipado