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— Aí vai o alguidar!

— Aí vai o jarro!

— Aí vão os copos!

— O cabide!

— O garrafão!

— O bacio!

Um riso geral, comunicativo, absoluto, abafava o barulho da louça quebrando-se contra as pedras. E Leocádia já não precisava acompanhar os objetos com a sua frase de imprecação, porque cada um deles era recebido cá fora com um coro que berrava:

— Upa! Toma, diabo!

E a limpeza prosseguia. João Romão acudiu de carreira, mas ninguém se incomodou com a presença dele. Já defronte da porta do Bruno havia uma montanha de cacos acumulados; e o destroço continuava ainda, quando o ferreiro reapareceu, vermelho como malagueta, e foi galgando a casa, com um raio de roda de carro na mão direita.

Os circunstantes o seguiram, atropeladamente, num clamor.

— Não dá!

— Não pode!

— Prende!

— Não deixa bater!

— Larga o pau!

— Segura!

— Agüenta!

— Cerca!

— Toma o porrete!