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pé embaraçavam-lhe as pernas, para a ver cair e rebolar-se no chão.

O vendeiro, de fraque e chapéu alto, foi direito ao grupo, então muito mais reforçado de gente, e intimou a todos que se recolhessem. Aquilo já não eram horas para semelhante algazarra!

— Vamos! Vamos! Cada um para a sua casa!

Piedade foi a única que protestou, reclamando o seu direito de brincar um pouco com os amigos.

Que diabo! não estava fazendo mal a ninguém!

— Ora vá mas é pra cama cozer a mona! vituperou-lhe João Romão, repelindo-a. Você, com uma filha quase mulher, não tem vergonha de estar aqui a servir de palhaço?! Forte bêbada!

Piedade assomou-se com a descompostura, quis despicar-se, chegou a arregaçar as mangas e sungar a saia; mas o Pataca meteu-se no meio e conteve-a, pedindo a João Romão que não levasse aquilo em conta, porque era tudo cachaça.

— Bom, bom, bom! mas aviem-se! Aviem-se!

E não se retirou sem ver a roda dissolvida, e cada qual procurando a casa.

Recolheram-se todos em silêncio; só o Pataca e Piedade deixaram-se ficar ainda no pátio, a discutir o ato do vendeiro. O Pataca também estava bastante tocado. Ambos reconheciam que lhes não convinha demorar-se ali, porém nenhum dos dois se sentia disposto a meter-se no quarto.

— Você tem lá alguma coisa que beber em casa?... perguntou ele afinal.