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não se conformava facilmente com os olhos baixos e o falar melífluo daquele padre elegante e belo.

Havia um ano que o Chico Fidêncio se estabelecera em Silves, espantando os pacatos habitantes da vila com as suas teorias irreverentes e ousadas, fascinando-os, tinha presunção disso, com o seu verbo colorido e ardente, espicaçando-lhes a mole diferença com o aguilhão das suas críticas acerbas e dos seus sarcasmos ferinos, dominando-os pelo espírito desembaraçado de convenções e dos prejuízos da estreita vida de aldeia.

Era natural do Rio de Janeiro, carioca da gema. Aquilo, sim é que era terra! Cursara dois anos da antiga Escola Central. Não gostara das matemáticas, era mais amigo das ciências sociais, e se fora rico, teria ido estudar a S. Paulo, teria entrado para a troça do Varela, do Castro Alves, teria sido talvez um Álvares de Azevedo. Era, porém muito pobre. Um tio, que o ajudava, fartara-se de o aturar e pusera-o fora