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Página:Phalenas.pdf/194

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XLVII


N′essa noite, o poeta namorado
Não conseguio dormir. A alma fugira
Para ir velar o doce objecto amado,
Por quem, nas ancias da paixão, suspira;
E é provável que, achando o exemplo dado,
Ao pé de Heitor viesse a alma de Elviva;
De maneira que os dous, de si ausentes,
Lá se achavão mais vivos e presentes.

XLVIII


Ao romper da manhã, co′o sol ardente,
Briza fresca, entre as folhas sussurrando,
O não-dormido vate acorda, e a mente
Lhe foi dos vagos sonhos arrancando.
Heitor contempla o valle resplendente,
A flôr abrindo, o passaro cantando;
E a terra que entre risos acordava,
Ao sol do estio as roupas enxugava.

XLTX


Tudo então lhe sorria. A natureza,
As musas, o futuro, o amor e a vida;
Quanto sonhára aquella mente acesa