Anais da Ilha Terceira/I/XXVII

Anais da Ilha TerceiraTomo I por Francisco Ferreira Drummond
'Quarta Época' - Capítulo VII — É iludido o conde Manuel da Silva por João Dias de Carvalhal, que passa a engrossar o número dos servidores de El-Rei D. Filipe. Murmúrio e perseguição contra os parentes. Estabelecimento da Casa Real de Moeda; e dinheiro que nela se cunhou. Demasiada popularidade do conde. Péssimos efeitos desta política

Em presença das aterradoras medidas, e da espionagem que Manuel da Silva começou a empregar logo à sua chegada, para descobrir quaisquer pensamentos ainda os mais insignificantes (como ele dizia) contra El-Rei seu amo, ninguém se considerava seguro, e mesmo os seus amigos desconfiavam ser vítimas da aleivosia e da traição dos delatores, que lhe não faltavam em toda a parte, como acontece em semelhantes ocasiões.

Já muito antes havia principiado, como dissemos, a deserção de alguns homens principais da ilha Terceira, considerando a pouca estabilidade dos negócios a favor de El-Rei D. António, e se achavam premiados no serviço de El-Rei Filipe; e vimos que outros, voltando a ela em comissões honrosas, ostentavam publicamente o gozo das mercês que em prémio de sua rebeldia lhes foram concedidas, com o fim de atraírem os seus compatriotas, e de os arrastarem à mesma opinião.

Do número dos descontentes, por este ou aquele motivo, foi João Dias de Carvalhal, que sendo homem de 40 anos, pouco mais ou menos, pela sua nobreza e virtudes cívicas de que era ornado em grau superior, andava quase efectivamente na governança da cidade[1], e fora outrora um dos mais afeiçoados ao partido de El-Rei D. António, sem dele se presumir outra coisa; muito mais por ser genro de Estêvão Cerveira, que já dissemos fora com o padre Frei Melchior visitar El-Rei, quando este se achava na vila de Aveiro. Logo que chegou o conde, foi João Dias de Carvalhal visitá-lo, no intento de o iludir e se pôr a salvo da ilha para fora; e com palavras estudadas lhe significou a sua dedicação ao serviço de El-Rei D. António, e por tal forma lisonjeou o conde do seu bom governo, que ele se persuadiu ter presente um dos seus maiores confidentes e servidores de El-Rei. Então João Dias de Carvalhal o persuadiu dizendo-lhe[2]: que ele era homem que não tinha nunca saído desta ilha, que se queria ir ver com Sua Majestade. Representando-lhe além disto, o ardente zelo que tinha de o servir; e queria andar em sua companhia sem dele se apartar; concluindo no seu pedido, lhe desse licença para se embarcar nos navios que iam com o pastel dos mercadores.

Instado por estas razões o conde, e convencido da utilidade que disto se poderia seguir, por ser João Dias de Carvalhal um grande cavaleiro, lhe concedeu licença de se embarcar, e muito mais lhe faria se pedido lhe fosse; porém ele, embarcando-se imediatamente para Inglaterra, sem querer saber mais de El-Rei D. António, passou a Lisboa a dar obediência a El-Rei Filipe, e a requerer despachos, desculpando o dito seu sogro Estêvão Cerveira; e por estes serviços obteve mercês que depois serviram a seu filho Francisco de Carvalhal, porque, vindo a estas ilhas na armada com o marquês de Santa Cruz, quando este defronte da ilha de S. Miguel rompeu a armada francesa, ficou gravemente ferido e maltratado, de forma que em breves dias faleceu em Lisboa; e seu filho, dito Francisco de Carvalhal, por estes serviços de seu pai obteve as indicadas mercês, uma das quais fora o hábito de Cristo com 20$000 réis de tença; e além disto alcançou um bom posto na Índia, com tal infelicidade, porém, que o não chegou a gozar, por se perder com a nau onde embarcou, sem que constasse de que modo foi.

Apenas chegou a notícia deste inesperado procedimento, foram mui grandes os murmúrios do povo contra o referido João Dias de Carvalhal, e contra seu sogro Estêvão Cerveira, arguindo que sendo eles do regimento da terra, e dos primeiros que juraram El-Rei D. António, pouco a pouco se iam escusando, entregando e governo a pessoas novas e sem experiência, pelo que os negócios marchavam em grande detrimento do bem público, e do fim que se propusera. E com tais e semelhantes argumentos começaram a ter como rebelde ao dito Estêvão Cerveira, tratando-o por falsário, enganador, e que tudo o que seu genro fizera era traças suas. Logo em continente se fez inventário da fazenda do réu João Dias de Carvalhal, porquanto havia incorrido em crime de lesa-majestade; e sua mulher, Maria Borges de Abarca, foi presa[3] em sua casa, a portas fechadas, e maltratada com outras matronas da cidade; e levada a bordo de um navio, aí se conservou mais de um mês até ser resgatada com dinheiro que deu a Manuel da Silva, do que lhe resultaram grandes trabalhos, e muitas perdas em sua fazenda.

Pela deserção de João Dias de Carvalhal, cujos pormenores deixamos escritos, e pelo que mais havemos relatado a respeito de outros que seguiram os mesmos passos, não parece estranho se empregassem meios violentos a fim de se conseguir a segurança pública. O sequestro nos bens dos condenados e desertores era uma medida necessária para aterrar os ânimos, e a prisão de suas mulheres a bordo dos navios que se achavam surtos no porto justifica não haver em terra lugares convenientes e seguros para as acautelar: com tudo isto é mui fácil avaliarmos qual seria o estado de aflição e de amargura em que se achavam os presos das cadeias; e todos os que andavam retirados às montanhas, muito mais depois do trágico fim que teve o fidalgo João de Betancor.

No meio de tantas inquietações e desgostos, é indubitável ser o conde regedor Manuel da Silva homem de muita coragem e constância, porque, cercado de inimigos os mais poderosos da ilha, ele arrostava com todos os perigos e esgotava os últimos recursos para conseguir o desejado fim de elevar ao trono de Portugal o seu amigo Prior do Crato, a quem seguira depois da sua derrota em Alcântara. Assim não fosse este general tão cobiçoso das riquezas, e tão fraco na hora fatal em que lhe cumpria mostrar-se nobre e valente como outrora o fora ao lado do mesmo D. António!

E porque era necessário muito dinheiro para o soldo dos militares que estavam de presídio em todas as ilhas do serviço de El-Rei D. António, e andavam caravelas de aviso com gente paga pelos cofres de Angra, onde também se faziam duas galés e ultimava a fortificação da costa, não chegando para tudo isto o pouco numerário que então girava, muito mais porque não havia comércio com parte alguma donde se pudesse tirar proveito, resolveu o conde e os mais que governavam na cidade levantar casa de moeda, porquanto havia muito cobre e muitas peças de ouro e prata que bem podiam servir para este fim[4].

Assim tomaram o pátio do hospital da cidade, e nele se colocou a casa da moeda, servindo de mestre um hábil ourives, por nome Gaspar Ribeiro, com os mais oficiais peritos, juiz, e escrivão; começando logo em princípio a fabricar boa moeda do prata, ouro e cobre[5], com as armas e divisa do Regente, da forma que se manifesta na carta régia transcrita no Documento I**, datada do 1.º de Abril de 1582.

Por efeito desta ordem, levantou-se em dobro o valor nominal da moeda, a saber: os patacões valeram a 10 réis; as moedas de real e meio, a 5 réis; as de real, a 3 réis; e as de meios reais a real, que era o preço por que corriam antigamente antes que reinasse El-Rei D. Sebastião, e era o seu cunho uma cruz com um açor ao pé, e da outra parte as armas reais. Fabricaram-se moedas de prata de cruzado, tostões, meios tostões e vinténs: depois dobrou-se o seu valor, e das moedas de cruzado, marcadas na forma dita, se fizeram 800 réis; de um tostão, dois; e assim gradualmente. Todo este aumento era de El-Rei, porque recolhia dois e tirava um tostão com o novo cunho. Também se fez moeda de 80 réis e de 40 réis. Igualmente se aumentou o valor das moedas de 500 réis, que ficaram valendo a 1$000 réis, e as de 1$000 réis, a 2$000 réis. De todas estas moedas se têm achado muitas, que se conservam na ilha para memória[6].

Logo que se começou a trabalhar na casa da moeda, saiu Manuel da Silva em pessoa com muitos homens principais da cidade, e, com palavras as mais insinuantes, pelas portas dos moradores dela pedia dinheiro, e peças de ouro e prata para se fabricar moeda, com que se pudessem sustentar as tropas até se restaurar o Reino de Portugal. O que vendo os moradores de Angra, e os modos e maneira com que ele pedia, uns se comprometiam a dar como amigos, outros como suspeitos ao serviço do novo Rei D. António; e desta forma estes por medo, e aqueles por vontade, ofereciam cadeias de ouro, anéis, jóias, peças de ouro e prata; uns prometiam moios de trigo, outros gado; e os que eram de suspeita, a esses se pedia com mais indústria, e mais por vergonha do que por vontade se alargaram em suas dádivas, com medo de os molestarem; de maneira que todas as cadeias que lhe davam, Manuel da Silva as lançava ao pescoço, e já não podia com elas; e como a terra estava rica e próspera ajuntou um tesouro: e constou que nada disto apareceu na casa da moeda, pois tudo guardou com muito âmbar das naus que vinham ter à ilha[7].

Porque o povo miúdo com a chegada do conde se alvoroçou, e ele fazia alguns oficiais mecânicos sargentos de companhias, e almotacés da limpeza, e também ao mestre da casa da moeda lançou o hábito de S. Tiago, assim como ao patrão da ribeira, João Duarte; e a muitos mecânicos o de Avis. Tornou-se o conde inteiramente popular, impaciente e desarrozoado contra os nobres, sem deles se confiar, antes esquecido de quanto lhe cumpria agradá-los; nas companhias da ordenança os sujeitava aos mecânicos, nem de sua boca havia algum a quem deixasse de chamar traidor; motivo por que eles recebiam do povo muitas descortesias, e se afirma que o autorizava para que encontrando pelas praças ou ruas três homens de suspeita falando em segredo, os maltratassem.

Por qualquer coisa logo ameaçava que havia de mandar enforcar. Quebrou todos os privilégios da cidade, e os dava aos mecânicos a quem não pertenciam, chegando a tanto a sua insolência que prendeu na cadeia pública os juízes com as varas nas mãos. Eram tantos e tão graves os vexames, que muitos homens nobres que nunca tiveram o pensamento de seguira voz de El-Rei Filipe, se declararam do seu partido pela aversão que tinham ao conde e perseguição que sofriam do povo miúdo. Pelo que toca aos costumes, procedia o mesmo conde escandalosamente, abusando muitas vezes do poder de seu cargo para seduzir donzelas e mulheres casadas[8].

Depois do ser decapitado João de Betancor, foram sentenciados todos os presos que com ele estavam por opiniões políticas; e suposto que nenhum fosse condenado em pena última, foram alguns sentenciados severamente em perdas de fazenda e dinheiro para a coroa; mas Estácio Trigueiros, e Pedro Velho, além da condenação em dinheiro, foram com baraço e pregão pelas ruas públicas. Compadecido o conde da miséria em que se achava o dito Estácio Trigueiros, por não poder usar do ofício de cirurgião que exercia, lhe concedeu licença para curar na cidade; e indo ele agradecer-lhe a mercê, cheio de medo pelo mau aspecto do conde, lhe disse que ele era muito do serviço do Senhor D. António. Então Manuel da Silva, voltando-se para o miserável cirurgião, lhe disse indignado: Oh traidor ainda lhe não chamais Rei D. António? Enforquem este traidor, levem-no logo daqui!. E desta forma chamou um meirinho, e o mandou açoutar pelas ruas públicas, e que no final o metessem na cadeia, o que pontualmente se cumpriu; de tal maneira que o miserável cirurgião ali jazeu ate chegar El-Rei D. António, a quem sendo presente o caso, muito estranhou ao conde tamanha desumanidade e despotismo, dizendo lhe: — Vós, Manuel da Silva, não quereis ser conde, nem que eu seja rei; os vossos excessos assim mo fazem persuadir; eu primeiro fui D. António, que rei D. António.

Com tão imprudentes procedimentos não conseguia o conde Manuel da Silva senão um geral descontentamento aos grandes da ilha; enquanto os padres nos púlpitos e confessionários animavam o povo a sustentar o seu juramento a favor de El-Rei D. António, contra a opinião de outros que, também em voz alta, proclamavam os direitos de El-Rei de Castela, corroborando os seus argumentos com passagens da escritura sagrada, cujo sentido invertiam à sua vontade[9].

Distinguiram-se nesta época os afamados pregadores, doutor mestre Agostinho, homem de profundo saber e conceito, e frei Pedro da Madre de Deus, ambos Gracianos, e deputados da Mesa da Consciência, o licenciado Amaro Lopes da Costa, clérigo do hábito de S. Pedro e tesoureiro mor da Sé de Angra; o dr. Frei António Varejão, fundador do convento da Graça; Frei Simão da ordem de S. Domingos; e o padre Frei Manuel Marques, comissário dos conventos destas ilhas, pertencentes à ordem Franciscana; e assim havia outro pregador, clérigo vigário de N. S. do Calhau da ilha da Madeira; um religioso da Trindade, que habitava na convento da Praia; e o licenciado João Luiz Homem, vigário na mesma vila. Entre estes pregadores, que todos eram letrados, haviam diferentes pereceres. E além destes religiosos, havia no Colégio dos Jesuítas os quatro pregadores já atrás mencionados no Capítulo I desta Época, aos quais o governo não deixava pregar e os tinha fechados no convento, para que não houvesse comunicação alguma com eles.

Eram do partido de El-Rei D. António os seguintes: doutor mestre Agostinho; Frei Melchior; Frei Manuel Marques, Frei Simão; e Amaro Lopes da Costa. Os quais todos, logo em princípio, se haviam declarado, animando o povo à defesa, e tanto assim que o dito Frei Pedro chegou a pelejar na Casa da Salga, montado sobre um cavalo, mas porque mudou de opinião foi preso e maltratado.

Não procederam assim os ditos Frei António Varejão, em quem o povo trazia sempre os olhos, e bem assim o licenciado João Luiz Homem, que por seus excessos neste género foi preso até entrar na ilha o Marquês de Santa Cruz. Conta-se daquele Frei Simão (era da ordem de S. Domingos) que ele viera à ilha arrecadar a fazenda pertencente a um filho de Fernão Dias, da mesma ordem, e que concluída a partilha e arrecadada a fazenda, então o padre Frei Simão assentara casa na cidade, e passou a levar tão boa vida em sociedades e divertimentos, que em breve tempo dissipou e deu cabo de toda a herança; e chegara a tamanho grau de entusiasmo pela causa do seu Rei, que nas pregações quase indigitava as pessoas; que assim o fizera a respeito de Martim Simão de Faria, com intento de o fazer odioso ao povo e suspeito a El-Rei D. António. O que sabido pelo dito Martim Simão, vendo em certo dia o frade na praça de Angra, investiu contra ele com a espada nua para o matar; e assim aconteceria, se gritando à voz de El-Rei não fugisse para o seu convento[10]. Com esta lição pública cessarem os padres de falar nos púlpitos em matérias profanas e negócios políticos.

NotasEditar

  1. Por vários documentos autênticos que me confiou o Sr. João de Carvalhal Júnior, sucessor desta casa dos Carvalhais na ilha Terceira e pelo testemunho dos nossos cronistas, sabemos que Francisco Dias de Carvalhal, chefe dos deste apelido, senhor do casal de Carvalhal em Guimarães, na freguesia de Santa Marinha da Costa, que o possuiu por seus antepassados Martim Domingos, filho de Domingos Esteves de Carvalhal, e Maria Anes, sua mulher, como consta da carta passada por El-Rei D. Duarte, em a cidade de Évora, aos 5 de Fevereiro de 1435, foi e primeiro que passou a esta ilha pelos anos de 1520, com seu irmão Gonçalo Dias de Carvalhal, vindos da Índia, onde militaram muitos anos, e lhes chamaram os cavaleiros, porque o eram de uma das ordens militares. Conhecida sua nobreza e qualidade, casou Francisco Dias com Catarina Neta, filha do nobre João Álvares Neto, e de sua mulher Mécia Lourenço Fagundes, dos quais tratámos na Primeira Época, Capítulo VI. Serviu de vereador em Angra no ano de 1545 e de juiz ordinário no ano de 1564. Consta mais por uma certidão que lhe passou Matias Jacques, escrivão de alfândega, assinada por António Pires do Canto, provedor das armadas reais por impossibilidade de seu pai Pedro Anes do Canto, em 2 de Outubro de 1545, que o dito Carvalhal servia, haviam muitos anos, de depositário dos cofres de ouro de Sua Alteza que vinham da Índia e Mina, por se entender que em outra parte não estavam tão seguros como em sua casa. E que assim teve o depósito dos cofres que trouxe o galeão comandado por Mendo Rodrigues de São Paio, o qual Pedro Anes lhe mandou entregar; assim como outro cofre da Mina trazido a esta ilha por Estêvão Soares, capitão da caravela Leoa, que se deteve em Angra seis meses; e finalmente outro cofre que viera da Índia naquele ano de 1515; e que de tudo dera inteira satisfação, sem lhe ser assinado prémio, nem se lhe fazer mercê alguma enquanto vivo.
  2. Citada Relação, no capítulo 36.
  3. Consta de uma certidão que passaram os oficiais da Câmara, cujo original me foi apresentado, e diz assim: — Os juízes, e vereadores, e procurador desta cidade de Angra da ilha Terceira &c. — Certificamos que Maria Borges de Abarca, viúva de João Dias de Carvalhal, que Deus tem, é mulher fidalga, e das principais da terra, e na rebelião desta ilha esteve sempre no serviço de Sua Majestade, pela qual razão foi presa por mandado de Manuel da Silva em sua casa com outras mulheres nobres e principais a portas fechadas, e de aí foram ela suplicante com as mais levadas ao mar, e postas em um navio no porto desta cidade a muito risco de sua honra e pessoa, por estarem no dito porto muitos navios de franceses e ingleses de guerra; e no dito navio esteve passante de um mês, e com dinheiro que deu ao dito Manuel da Silva foi resgatada, e posta em sua casa na mesma prisão; pelo que padeceu trabalhos, e muitas perdas de sua fazenda, e o mesmo padeceu no tempo do saque; e tudo por estar muito inteira no serviço e opinião de Sua Majestade. E por passar na verdade e nos ser pedida a presente certidão lha mandámos passar em Câmara, por nós assinada e asselada com o selo dela, aos 16 dias do mês de Maio (não tem o ano). — Matias de Toledo, escrivão da Câmara a fiz escrever e subscrevi. — Álvaro Pereira Sarmento — Pedro Rodrigues de Aguiar — Gomes Dias Vieira — António Pacheco de Lima — Roque Fernandes. — Outra certidão neste sentido lhe passou o mestre de campo João de Urbina em 26 de Agosto de 1585.
  4. Julgamos que a prata e ouro e os sinos das igrejas não foram empregados neste cunho, porque disso faria menção o autor da Relação que seguimos; e pode ser não chegasse a necessidade a tanto como chegou no ano de 1830, em que o governo se viu obrigado a lançar mão de todos estes recursos para sustentar as tropas e os empregados públicos.
  5. Citada Relação, capítulo 40. É desta relação que extraímos a notícia das moedas aqui mencionadas, ainda que delas todas não trata a referida carta régia. Já desta carta déramos notícia no Capítulo II da Primeira Época, tratando das armas da cidade de Angra.
  6. O excelentíssimo visconde de Bruges conserva um grande número destas moedas que comprou a certo homem, que as achou dentro de um saco já podre sepultado junto do tronco de uma animosa faia no lugar das Roças, subúrbio da cidade. Não se pôde averiguar ao certo que quantidade seria de moedas de ouro, porque ele só confessou achara umas cem, e de prata maior quantidade. Foi este importante haver encontrado nos últimos dias do mês de Fevereiro de 1841; porém já muito de antes se acharam noutros partes algumas moedas de cobre deste cunho.
  7. Citada Relação, no capítulo 41, a que se refere o Padre Cordeiro no Livro 6.º, capítulo 27 § 304 da 'História Insulana.
  8. Refere o autor da Relação citada, no Capítulo 42, que Manuel da Silva ordenou a certo homem que lhe trouxesse uma filha para dar um depoimento, e fechando-se com ela em um quarto a violentou, obtendo à força o que por bem não podia conseguir; razão por que o pai dela poucos dias depois faleceu de sentimento.
  9. Veja-se o que fica dito a este respeito no Capítulo II desta Época.
  10. Citada Relação.